Saturday, April 09, 2005

"Não teve clube. Não foi possível, não poderia fazê-lo sozinha! hehe

Então, G.H.!

Precisa falar?
Estava terminando Kafka, "O Processo", e resolvi terminar correndo pra ter tempo de reler G.H. até o dia 27. Que igenuidade, como se isso fosse possível! Deixei Kafka de lado, esperando um pouquinho, pra ler G.H. Nossa! Nunca Clarice foi tão fácil! E nunca fez tanto sentido tb não!
Impressionante. Muito bom mesmo.
Essa leitura me lembrou muito o primeiro clube de Clarice, sobre a própria personagem de G.H.
Dessa vez tb eu saí sublinhando e fazendo comentários no livro inteiro.
Olhem esse parágrafo:
"Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, asustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o se exepcional é arrasado, o ser gritante."
Ah, nem sei mais, estou perdida em GH. São tantas coisas. Eu tenho uma média de quase uma frase sublinhada a cada duas páginas. Tenho certeza que cada uma delas daria uma puta duma discussão. Por exemplo:
"É preciso coragem para me aventurar numa tentativa de concretização do que sinto"
Caralho!
Primeiro: concretização do sentir. O que seria isso? Colocar em prática tudo o que sinto/penso? Mas o sentir já não seria a prática? E o pensar? Seria, no caso, fechar os olhos, jogar pro alto e sentir, com todas as suas forças, do fundo do seu ser? Mas o sentir "superficial" e "fraquinho" já não é um precipício, em si? (qualquer forma de sentir já não seria uma ousadia?) Acho que seria o "não ter medo de sentir", a concretização do sentimento. Mas não sei, o que é isso?
Segundo: aventura. Claro que é uma aventura. Qualquer expedição para dentro de nós mesmos é uma aventura. Sabe-se lá o que podemos encontrar né. É mais seguro uma expedição à Amazônia inexplorada, ou atravessar o Saara, e depois o Oceano Pacífico sozinhos e despreparados, do que olharmos para dentro de nós mesmos e fizermos uma "expedição" ao nosso eu e nos propusermos a explorá-lo. Despreparados, sempre.
Daí a coragem. Tem que ser muito macho mesmo para se conhecer. Aliás, muito louco, isso sim.

E isso foi só uma interpretação que eu tive da frase isolada!" Por Strachi a 03/04/05

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